terça-feira, 17 de setembro de 2013

O primeiro 11 de setembro – golpe no Chile


Onze de setembro é uma data trágica. Além do ataque às torres gêmeas de 2001, foi a data de mais um dos tantos golpes militares na América Latina. O Chile teve seu presidente constituicionalmete eleito, Salvador Allende, há quarenta anos. Vendo o mapa, percebemos que o Chile é um país que estende-se por boa parte da costa oeste da América do Sul, sendo banhado pelo Oceano Pacífico e tem em Santiago sua capital. Também percebemos que é um país muito rico em minérios, uma das bases de sua economia.
Salvador Allende
Allende venceu as eleições para presidência chilena em 1970 pelo Partido Socialista, na coalizão Unidade Popular, que contava com o apoio de diversos grupos políticos de esquerda Partido Comunista e o Partido Social-Democrata. A eleição de Allende apontava para uma via democrática, não revolucionária, para o socialismo. A “experiência chilena” parecia ser uma novidade bastante representativa, na medida em que mostrava-se como uma maneira inédita para chegar no socialismo.
Mas dentro da Unidade Popular havia diversos debates sobre como alcançar o socialismo, dado ao grande leque de grupos de esquerda, que estavam acostumados a proposta da revolução armada como meio para tomada de poder. Mesmo assim, algumas medidas importantes foram tomadas, como a nacionalização da mineração do cobre.
Quem não estava simpatizando com as medidas de Allende era a elite local, o Exército e claro, os EUA. Em 1972 houve sabotagem da produção e greve dos motoristas de caminhão, o que gerou escassez dos meios de consumo. Foi criada uma sensação de ausência de governo e a pressão sobre Allende era fortíssima.
Em 11 de setembro de 1973 uma Junta Militar liderada por Augusto Pinochet, que fazia parte do gabinete de ministros do país até então, exigiu a renúncia de Allende e a entrega do cargo às forças armadas chilenas. Como o presidente
Pinochet e a Junta Militar
eleito negou-se, a Força Aerea Chilena bombardeou o Palacio de la Moneda, sede do governo do Chile. O Exército cercou o local e ao invadir, Salvador Allende foi encontrado morto. A versão oficial aponta para suicídio.
Os norte-americanos deram apoio militar e financeiro ao golpe, com a concordância do presidente Richard Nixon e do secretário de Estado, Henry Kissinger.
Os dias seguintes ao golpe foram extremamente violentos. Tanto é que o número de morto é controverso. Dados mais recentes apontam para 40 mil mortos durante a ditadura, que durou até 1990. Sendo que a maioria foi morta no início. Foram criados verdadeiros campos de concentração, estádios como o Estádio Nacional e o Estádio do Chile tornaram-se grandes centros de tortura e morte.
Palacio de la Moneda, sede do governo
cercado pelo Exército chileno
Muitos dos exilados brasileiros, da ditadura que havia se iniciado por aqui em 1964, foram perseguidos pelo governo de Pinochet. Relatos como o de Fernando Gabeira em “O que é isso companheiro?” ou de João Carlos Bona Garcia em “Verás que um filho teu não foge à luta”, dão conta da realidade antes e depois do golpe. Como fugitivos da ditadura brasileira e militantes de esquerda, foram recebidos de bom grado pelo governo de Allende. Depois do golpe, viram-se novamente perseguidos, dessa vez pela ditadura chilena. A colaboração entre os regimes autoritários sul-americanos durante os anos 70 foi chamada de Operação Condor e contava com a troca de prisioneiros políticos.
A ditadura chilena durou até 1988, quando ocorreu no país um plebiscito para decidir se Pinochet continuaria no comando do país. As alternativas eram SI “sim” ou NO “não”. O NO venceu com 56% dos votos.

3 comentários:

Manoel Fontoura Rodrigues disse...

Dale Burd, muito bom! Tu tens de cabeça a ordem cronológica das ditaduras da América do Sul? A do Brasil foi uma das primeiras, imagino. E outra, essa onda foi um fenômeno particular da Am. do Sul ou ocorreu em algum outro lugar do mundo nessa época? Abraço, Manoel

Rafael Burd disse...

Fomos o primeiro grande país sul-americano a ter uma ditadura apoiada pelos EUA durante a Guerra Fria (sim, mais um título para gente).
Na sequência: Uruguai e Chile em 73 e Argentina em 76. Se quiseres por o Paraguai no bolo, a gente volta um pouquinho no tempo, porque por lá começou em 54.
Na segunda pergunta, a América Central também foi vítima de várias intervenções norte-americanas, como foi o caso da minúscula ilha de Granada, invadida pelos mariners. O medo norte-americano nos anos 60 e 70 era de uma "nova Cuba" em seu quintal.
Nesse momento, alguns países africanos e asiáticos também sofriam com pesadas ditaduras, consequências das lutas pelas emancipações e da próprio disputa por áreas de influência típica da Guerra Fria.
Abraço!

Manoel Fontoura Rodrigues disse...

Bárbaro, Burd! Valeu pelas info!